Distônico

Sexta-feira, Dezembro 18, 2009

gosto dos rascunhos
não dos poemas



projetos ainda podem ser felizes

Segunda-feira, Dezembro 14, 2009

só acredito em ruídos que não se repetem



a sonolência é um dom do esquecimento




estive em ausências alheias
como um intruso

que nos faz querer voltar para casa

Domingo, Dezembro 13, 2009

no biscoito da sorte
veio teu nome
algum conselho sobre a velocidade dos tempos modernos
e seis números


não tenho vontade de gabaritar o futuro

Segunda-feira, Dezembro 07, 2009

em outras palavras
monstruoso

como o dedo que musica a angústia

Sábado, Dezembro 05, 2009

quanto mais sintética, mais esteriotipada;

quanto mais ampla, mais inútil

Quinta-feira, Dezembro 03, 2009

sei uma coisa ou outra do mundo
e vejo que há mais risos no descompromisso
que não pede licença para jantar



ainda assim
prefiro o caminho da infelicidade a dois

Quarta-feira, Dezembro 02, 2009

falando, tens algo de cantora


e eu sento




fazer silêncio é ler um livro

Terça-feira, Dezembro 01, 2009

não apaguem a luz no meu último suspiro


não tenho vergonha de despedidas, cruéis ou não






morrer não é uma derrota
só o fim de uma série invicta

Terça-feira, Novembro 24, 2009

algo de você é invenção minha
mas me recuso a assinar a obra



talvez tivesse que vendê-la

Segunda-feira, Novembro 23, 2009

"Eu levo sua sacola".
Deixei, distraído pelos cabelos brancos bem aparados e vestido amarelo claro. Fiz menção de pegá-la de volta quando finalmente caí em mim.
Ela ajeitou um brinco que nem usava.

Caminhávamos pacientes.
E tudo que saía da boca dela parecia repetição, cansaço, desdém, último suspiro.

Tentei reaver a sacola fitando-a nos olhos e dando um pequeno sorriso. Trocou o pacote de mão e prosseguiu. Havia algo de honroso em servir a alguém mais jovem.

Aceitei. E ela nem usava óculos.

Domingo, Novembro 22, 2009

por trás dos biombos
das tuas piadas inofensivas

palavra nua é grito

Bateu em um poste, mas só aceitou sair do carro quando a música acabasse.

Sábado, Novembro 21, 2009

não há moderação em abdicar de tudo



sou minhas inoperâncias

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

Amigo tem nome que a gente gosta: para amar, é preciso um nome feio.

Para insistir em reescrevê-lo em cadernos - a obsessão de um incômodo.

Terça-feira, Novembro 17, 2009

a favor da instalação indiscriminada
de lombadas pelas BRs


ver a paisagem é um dever de cidadão

Quem

Diogo Guedes
Minhas mãos suam em contato com a vida.
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